Especialista sugere medidas para garantir estabilidade do setor agrícola
Garantia de recursos para o Plano Safra atual e discussão sobre os Planos Plurianuais são algumas das saídas

São Joaquim da Barra, 08 de Outubro de 2015 - Para o alívio do setor do agronegócio, por enquanto, nenhuma medida de corte no Plano Safra 2015-2016 está no pacote de redução de gastos do Governo. Isso quer dizer que os mais de R$187,7 bilhões em recursos para apoiar a produção agropecuária, volume 20,2% superior ao do Plano anterior, até o momento, parecem estar assegurados. Segundo Carlos Cogo, consultor em agronegócios da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, ainda que não tenha sido tirado desse porcentual a inflação do período, trata-se de um crescimento.

Para o consultor, a garantia dos recursos já orçados para o Plano Safra atual, sem surpresas com reduções ou cortes, está sim entre as principais medidas para que o setor se mantenha estável neste período. Segundo o especialista, o setor do agronegócio é o que melhor tem colaborado com a balança comercial do país, sendo responsável pelo superávit no primeiro semestre e, assim, o que menos deveria sofrer cortes.

No entanto, Cogo acredita que, levar adiante as discussões sobre a substituição do Safra por Planos Plurianuais, com uma política agrícola de longo prazo, assim como já acontece nos Estados Unidos, Canadá e União Europeia, seria ainda mais impactante. “Isso quer dizer que, além da definição de recursos e juros, um conjunto de regras, que não são complexas, seria elaborado e nortearia o setor por um período mais prolongado, por cerca de quatro ou cinco anos, permitindo um planejamento melhor e assegurando uma maior estabilidade”, explicou.

De acordo com o consultor, o Grupo de Trabalho (GT) de Alto Nível constituído recentemente para discutir e delinear a Lei Plurianual da Produção Agrícola Brasileira (LPAB) já é um bom sinal. O Grupo visa estabelecer um planejamento estratégico agropecuário para o produtor brasileiro, dando previsibilidade ao mercado. “Este já é um indício de que o Ministério da Agricultura está, pelo menos, ouvindo este antigo pleito do setor”, acrescentou.

Durante encontro com líderes e representantes do segmento em Porto Alegre/RS no último mês de setembro, Cogo disse também que, além desses ajustes, o Governo precisaria assumir os erros cometidos na esfera política e econômica e tomar medidas mais duras. “Além das medidas anunciadas no último pacote de ajuste fiscal, a venda de ativos e cortes mais severos nos gastos do governo, por exemplo, também ajudariam a minimizar a insegurança dos investidores externos e ajudar o país voltar a crescer”, concluiu.
 
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