Representantes do setor comentam atual cenário do agronegócio
Reconquista do mercado externo, crise de confiança, contaminação do setor. Como vencer esses obstáculos
São Joaquim da Barra, 08 de Outubro de 2015 - O que representantes do setor tem a dizer sobre algumas das questões que mais têm afetado ou envolvem diretamente hoje o cenário do agronegócio? Mercado externo, contaminação do setor, câmbio, nacionalização, ajustes, competividade, aumento de eficiência e investimentos são alguns dos assuntos abordados por Sílvio Rigoni, gerente de vendas de tratores da Agrale, Marcelo Borges Lopes, gerente de contas estratégicas da América Latina da John Deere, Eduardo de Sousa Filho, gerente de produto da AGCO América do Sul e César Bonacini, gerente comercial da Tuzzi.

Como evitar que a contaminação de outros mercados afete o setor do agronegócio?

Sílvio Rigoni, gerente de vendas de tratores, Agrale. “Somos uma empresa 100% nacional. Nossos clientes são, em sua maioria, pequenos e médios produtores que foram menos afetados com o cenário econômico atual, e o setor ainda está num bom momento. Por isso, estamos nos concentrando nas oportunidades e nos nichos de mercado em que temos forte atuação, com investimentos mais robustos em marketing e no lançamento de novos modelos de tratores, a fim de estarmos prontos para suprir essa demanda e não sermos contaminados por outros mercados”.

Mercado externo e volatilidade do câmbio: como reconquistar essa fatia do mercado?

Sílvio Rigoni, gerente de vendas de tratores, Agrale. “Precisamos voltar lá fora. O Programa Mais Alimentos Internacional ajudou muito as montadoras brasileiras a exportar mais para países da África, por exemplo. Agora com o câmbio mais alto o cenário tornou-se favorável novamente, é preciso reconquistar o mercado externo porque quando o câmbio estava baixo deixamos esse mercado de lado”.

Marcelo Borges Lopes, gerente de contas estratégicas da América Latina, John Deere. “A volatilidade do dólar é hoje o maior vilão para dar continuidade às exportações no Brasil e esse é um fator sobre o qual não temos controle”.

Atualmente, quais fatores não têm estimulado o agricultor na hora de investir?

Marcelo Borges Lopes, gerente de contas estratégicas da América Latina, John Deere. “Hoje se existe uma crise no segmento, é uma crise de confiança institucional, e não uma crise de renda ou de falta de perspectiva. Pelo contrário, o que sabemos é que as perspectivas são boas. Ainda que o agricultor esteja num bom momento, de tanto ouvir falar em crise, ele acredita. Combatemos esta falta de confiança investindo em novos produtos e inaugurando novas unidades, por exemplo”.

Como a relação ajustes X investimentos afeta a cadeia de fornecedores?

Marcelo Borges Lopes, gerente de contas estratégicas da América Latina, John Deere. “O efeito imediato sobre os fornecedores é que quando se ajusta a produção, isto é, quando eu digo que vou produzir menos, também vou comprar menos. No entanto, o fato de produzir menos, não significa que não posso ou não vou investir. Pelo contrário, quando olho para frente vejo que o cenário é bom e tenho que investir agora”.

Eduardo de Sousa Filho, gerente de produto, AGCO América do Sul. “Para atender a perspectiva de mercado que teríamos neste ano e nos mantermos saudáveis como empresa, fizemos ajustes das demandas internas em relação ao mercado e obtivemos maior sinergia de processos e de atividades, o que nos permitiu seguir atuando de maneira sólida. Quando fizemos isso, conseguimos preservar toda a parte de investimentos em projetos e novos produtos e até realizar mais do que a gente previa dentro da visão de longo prazo”.

César Bonacini, gerente comercial, Tuzzi. “´Hoje as montadoras de máquinas e equipamentos agrícolas estão entre os nossos principais mercados e os efeitos da desaceleração na produção nacional nos levou a ajustes no quadro de funcionários, flexibilização de turnos, corte de custos e intensificação de programas de redução e otimização dos processos para equilibrar a balança. Com essas ações, mantivemos os investimentos em nosso Centro Tecnológico e na aquisição de equipamentos de alta precisão para ter um ganho de produtividade. A decisão de manter os investimentos previstos se fez porque há um grande potencial agrícola no Brasil e queremos estar preparados quando o mercado recuperar o fôlego”.

Nacionalização X Fornecedores X Tecnologia. Como equalizar essa relação?

Marcelo Borges Lopes, gerente de contas estratégicas da América Latina, John Deere. “. Hoje o Brasil é o nosso 2º maior mercado mundial. Temos o maior interesse em ter mais produção local, até para termos um balanço melhor entre o que é local e o que é importado. Para isso precisamos elevar o nível tecnológico da cadeia de fornecedores internos e que possam se adequar à evolução tecnológica que é muito rápida. Acompanhar essa velocidade é muito importante. Também temos que olhar a questão estrutural e o que precisamos fazer para que estruturalmente sejamos bons como cadeia de produção, para que tanto o fornecedor quanto a montadora sejam competitivos e possam levar isso para o cliente final, sem precisar repensar o negócio por conta de oscilação de câmbio ou outros fatores externos”.

Eduardo de Sousa Filho, gerente de produto, AGCO América do Sul. “Buscamos ter ganho de eficiência. Ainda que a oportunidade do câmbio seja favorável, é preciso nacionalizar com o custo competitivo. Também focamos em ampliar nossa base de fornecedores, que estes invistam em tecnologia e, ao mesmo tempo, sejam eficientes em custo”.

César Bonacini, gerente comercial, Tuzzi. “Como fornecedores, apostamos na tecnologia para proporcionar reduções sustentáveis de custos e ganhos de produtividade. Acredito que a criação de nosso Centro Tecnológico, que utiliza uma metodologia mais eficiente, acelerada e econômica, quando comparada aos testes em campo, chega para contribuir com o processo de nacionalização. Nosso objetivo é trabalhar em parceria com as fabricantes desse segmento, estando entre as melhores opções aqui no Brasil para auxiliá-las em seus projetos com engenharia e validação e, desta forma, entregar uma solução completa, indo além do fornecimento de peças e sistemas”.
 
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